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O feminismo de Valesca Popozuda: "Se me sinto vítima, coloco a boca no trombone"

Funkeira vai receber medalha da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro após ter sido citada diversas vezes em redações do Enem. Ao iG, ela fala como a ideologia atua no seu dia a dia, desde a música até a criação do filho, Pablo. "Me orgulho em ver que ele tem crescido livre de preconceito"

Um dos nomes mais proeminentes da música pop brasileira, Valesca Popozuda vai receber da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro a Medalha Mérito Pedro Ernesto, por sua luta pró feminismo e em favor à comunidade LGBT.
A honra foi anunciada na última semana, após a funkeira ter sido citada diversas vezes em redações do Enem, cujo tema em 2015 foi a violência contra a mulher.
A fama de feminista não é novidade para a cantora, que desde os tempos de Gaiola das Popozudas cantava no baile funk músicas como “Minha Pussy É O Poder”. Mais recentemente, ela fez sucesso também com “Tá Pra Nascer Homem Que Vai Mandar em Mim”, e ainda representou a série “Orange Is The New Black”, cujo discurso é totalmente pró igualdade de gênero, durante passagem das atrizes pelo Brasil.
Valesca Popozuda
Divulgação
Valesca Popozuda
Em entrevista ao iG, Valesca falou sobre como o feminismo atua no seu dia a dia, e foi além ao revelar suas origens e opiniões. “Nasci numa família que tinha tudo para dar errado: liderada por mulheres, pobres e sem direito a voz. E olha onde chegamos lutando.”
iG: Desde os tempos de Gaiola das Popozudas as pessoas ligam sua música ao feminismo. Como essa ideologia passou a fazer sentido para você?
Valesca Popozuda: Sempre acreditei que ter voz e se calar é ser conivente com qualquer desigualdade e, por isso, sempre que me sinto vítima de qualquer situação de injustiça, não penso duas vezes: coloco a boca no trombone. E como nunca achei certo sermos rotulados por qualquer diferença, seja por sexismo, classe social ou orientação sexual, me vejo na obrigação em lutar como cidadã. Todos os dias quando acordo já é um motivo para lutar pela igualdade dos gêneros. 
Não posso concordar com qualquer pensamento preconceituoso. Nasci numa família que tinha tudo para dar errado: liderada por mulheres, pobres e sem direito a voz. E olha onde chegamos lutando juntas.
iG: Vivemos em um momento em que muitas artistas se intitulam feministas - de Taylor Swift à Anitta. Como você avalia este momento na música? E, principalmente, como enxerga o fato da indústria se apropriar desta ideologia?
Valesca Popozuda: Posso falar por mim e digo que não devemos nos calar diante de uma sociedade que insiste em fazer com que existam minorias. Se a a base viesse desde o início, lá quando a criança está em formação, não teríamos diferenças. E para completar: a indústria se vale do que o povo fala e do que o povo quer. Se consumimos, se fazemos parte da massa, temos direitos. E então, somos interessantes para a indústria.
iG: Qual a sua maior referência de feminismo?
Valesca Popozuda: Minha mãe, que me direcionou e direciona com pulsos firmes de matriarca, sempre. Ela que de dá exemplos vivos de feminismo diários.
iG: O funk é criticado por uma vertente do feminismo por objetificar o corpo da mulher. Como é ser feminista e funkeira ao mesmo tempo?
Valesca Popozuda: Música é algo livre para expressarmos nossas ideias. Como lutar tanto por direitos se quisermos a todo custo censurar outros pensamentos? Nos dias de hoje é impossível bloquear informação, todos temos acesso a tudo. Sejam coisas boas ou não, portanto, acredito que cada um é dono do que pensa e consequentemente das reações do que propaga.
iG: Você tem opinião formada sobre o aborto? O que pensa sobre a questão?
Valesca Popozuda:  Sou a favor da liberdade de escolha, já que cada caso é um caso. Sempre fui muito julgada e procuro, sinceramente, não julgar nada nem ninguém. Só que passa por qualquer questão dolorosa na vida sabe o que é, a fundo.
iG: Estamos acostumados a assistir ao feminismo da Valesca nos palcos, nos clipes, nas entrevistas... De que maneira o feminismo atua na sua rotina, na vida pessoal?
Valesca Popozuda: Minha vida nos palcos, nos clipes e nas entrevistas é muito do que sou diariamente. O reflexo que todos veem é o que sou em casa, com meu filho, com minha família. Então, não tenho nada de mais na rotina que não fale para os meus fãs.

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