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Caso Waack: precisamos aceitar que jornalistas são falhos

Nada justifica o deboche de teor racial verbalizado por William Waack em vídeo vazado e viralizado na semana passada.


Um dos jornalistas mais experientes do País mostrou-se ingênuo ao acreditar que estava blindado, ainda que cercado de técnicos de TV no local da transmissão e vários outros profissionais o assistindo a milhares de quilômetros, na sede da Globo, onde o sinal era recebido.

Quem trabalha em televisão sabe: nada escapa quando é dito ou feito num estúdio ou em um link, como no caso de Waack, que se preparava para entrar ao vivo de Washington. Há sempre alguém monitorando.

Um aspecto relevante deste lamentável episódio midiático está na desconstrução da figura do âncora de TV perfeito e inabalável.

Os jornalistas que trabalham para as câmeras ganham status de celebridade. Vários deles despertam o mesmo interesse no público que atores de novelas.

Parecem pessoas sem falhas, donos de vida imaculada, acima do bem e do mal. No entanto, são humanamente irregulares e vulneráveis como qualquer telespectador comum.

E podem ter opiniões íntimas e seguir ideologias que horrorizariam a audiência se fossem reveladas. Por isso, a maioria segue a cartilha do politicamente correto – pelo menos enquanto está ao alcance do olhar do público e da imprensa.

Apesar de apresentar um dos principais telejornais da TV brasileira, William Waack não faz parte do time das ‘celebridades do telejornalismo’, como seus colegas de emissora William Bonner e Sandra Annenberg, por exemplo.

Ele não faz a linha simpático tampouco cultiva popularidade nas redes sociais. Mantém uma postura estritamente profissional e jornalística, sem a sedutora afetação do mundo artístico.

Caso o flagra tivesse sido protagonizado por um queridinho da mídia e da galera das redes sociais, talvez as reações seriam menos extremadas e sádicas.

A maioria dos telespectadores-internautas costuma ser complacente com jornalistas idolatrados que, muitas vezes, surfam na própria fama.

Quem deve julgar William Waack não é o público, e sim a empresa para o qual ele trabalha e estava a serviço no momento da gravação.

E, seja qual for a decisão a ser tomada em breve (reabilitá-lo ou bani-lo), a Globo terá que arcar com as consequências ruidosas que ambos os cenários impõem à emissora.

Ao telespectador, cabe usar o poder do controle remoto para não dar audiência a quem apresenta uma conduta que ele desaprove.


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